Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011

«E porque não um Óscar para o Nobel?», por Miguel Gonçalves Mendes

A propósito de uma crónica escrita por João Lopes para o Diário de Notícias, onde referia o seu apoio à candidatura de Mistérios de Lisboa como filme português representante do país junto da Academia norte-americana, falando inclusive na petição de apoio a José & Pilar (de forma positiva), mas referindo considerar «errado assumir qualquer opção de política cultural a partir de uma petição pública», Miguel Gonçalves Mendes, realizador de José e Pilar, escreve sobre a possibilidade do seu filme ser indicado como representante português, bem como da petição:

 

«João Lopes afirma na sua crónica da passada semana que "vale a pena reparar e ter alguma disponibilidade mental" para a estreia comercial de Mistérios de Lisboa nos Estados Unidos, encontrando na sua boa receptividade naquele país uma oportunidade estratégica para que este seja o filme português candidato aos Óscares. Remata, referindo a existência de uma petição em favor da escolha do filme que realizei - José e Pilar - e considera que esta não deverá influenciar a decisão da comissão que escolhe o candidato.

Fazendo tal afirmação, mesmo que indirectamente, João Lopes compara José e Pilar a Mistérios de Lisboa sem apresentar argumentos para a escolha de um em detrimento do outro.

Por considerar redutor e até deselegante que o meu filme seja reduzido a uma petição, que em muito me lisonjeia e motiva, gostaria de relembrar o seguinte: José e Pilar é um documentário sobre o único Nobel em língua portuguesa (com milhões de livros vendidos nos EUA), co-produzido pela El Deseo (dos irmãos Almodóvar) e pela O2 Filmes, de Fernando Meirelles, ambos membros da Academia norte-americana. Foi nomeado para Melhor Filme pela SPA e para Melhor Documentário, Montagem e Banda Sonora pela Academia Brasileira de Cinema. Esteve cinco meses em cartaz, bateu o recorde de permanência em sala de um filme português e fez 25 mil espectadores em Portugal. Além de tudo isto, é o objecto da referida petição.

Peço pois "alguma disponibilidade mental" para a candidatura de José e Pilar: não me parece adequado apelar a escolhas com base nas críticas americanas, já que é público que José e Pilar só irá estrear-se nos EUA em Setembro.

Não sei se o João Lopes viu o meu filme. Durante os cinco meses que esteve em cartaz, nunca li uma menção sua sobre ele, nem agora apresenta qualquer argumentação ou análise: resume a questão à petição em favor de José e Pilar e diz considerar "errado assumir qualquer opção de política cultural a partir de uma petição pública". Uma espécie de aviso à navegação. Estamos de acordo: também eu acho que as petições têm um valor meramente simbólico. Não obstante, a João Lopes já não parece mal que tal escolha derive da crítica especializada, pois toda a sua crónica e argumentos se baseiam no que a crítica americana diz. Uma petição não serve; uma crónica no jornal, sim. E aqui estamos em profundo desacordo. Vejo-me assim no dever de opinar também sobre os fundamentos desta específica opção de política cultural. Entendo que um filme que é proposto representar um país (porque é disto que se trata) deve, por um lado, trazer a legitimação dos seus pares e da crítica especializada; e, por outro, encontrar nas pessoas que constituem o país que representa a devida representatividade. Ignorar a crítica é sintoma de um populismo serôdio, mas ignorar os espectadores é sintoma de um desfasamento relativamente aos propósitos fundamentais das próprias políticas culturais. Recordo assim que um alargado grupo de espectadores assumiu querer participar de uma decisão de política cultural, manifestando a sua opinião através de uma petição pela candidatura de José e Pilar aos prémios Óscar. Isto deverá ter o peso que tem: é só a opinião destas pessoas, mas é também uma surpreendente manifestação de entusiasmo e apreço por um filme português que sentem representar a sua cultura.

Existe outra questão que me parece importante: quem recebe o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro é o seu realizador. Sejamos claros: Raul Ruiz, apesar do maior mérito que se lhe possa reconhecer, não é português. Nem sequer é um realizador estrangeiro radicado em Portugal. Só com muito boa vontade se veria a hipotética nomeação de Mistérios de Lisboa como um triunfo pleno para Portugal.

Levanto esta questão porque é de estratégia que João Lopes fala - não se entenda com isto que defendo um proteccionismo simplista. Prezo muito a contribuição que muitos estrangeiros deram e dão à nossa cultura. Contudo, é legítimo questionarmo-nos sobre as consequências de assumirmos estas produções como "filmes nacionais", sem mais. O perigo é o de vermos os nossos produtores a financiarem os seus projectos através dos realizadores estrangeiros conceituados que conseguissem atrair, para filmarem histórias de origem portuguesa (tipo a "A Batalha de Ourique"), pondo em causa de modo sério a dinâmica de um importante sector artístico. Se entramos por essa via, onde fica a cinematografia portuguesa?

Por último, agora sim, uma opinião pessoal, a escolha de José e Pilar seria também o reconhecimento do caso de sucesso que os documentários portugueses têm tido nas salas comerciais, por oposição à ficção nacional. Voltando à petição, num país que é acusado de ser amorfo e não reagir, que manifestamente se encontra divorciado da sua cinematografia, mais de duas mil pessoas despenderem o seu tempo a assinar uma petição em prol do cinema português parece-me por si só algo de louvar e não de minimizar. Esse sim é para mim um prémio que aproveito desde já para agradecer.»

 

Fonte: DN - Opinião: E porque não um Óscar para o Nobel?

publicado por Petição às 14:17
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Sábado, 6 de Agosto de 2011

Petição «José e Pilar aos Óscares» divulgada no "5 Para a Meia Noite" e está perto das 2 mil assinaturas

 

Conforme anunciámos previamente, ontem à noite, na estreia da antiga VJ da MTV, Luísa Barbosa, no 5 Para a Meia Noite na RTP2, estiveram presentes Pilar del Rio e Miguel Gonçalves Mendes, realizador de José e Pilar. Como tínhamos previsto - dada a assinatura prévia da petição por parte da apresentadora - a petição José e Pilar aos Óscares foi comentada e divulgada no programa, inclusive com a nota em rodapé do endereço deste blogue e menção do blogue Split Screen, de onde nasceu este projecto.

 

Claro que teve repercussões imediatas e tendo o crescimento do número de assinaturas estagnado nas últimas semanas por falta de divulgação mediática da mesma, novas assinaturas chegaram estando esta petição prestes a atingir as 2 mil assinaturas. Entre as novas assinaturas, folgamos saber que a actriz portuguesa Dalila do Carmo assinou hoje a nossa petição, apoiando publicamente este projecto.

 

Para todos os que queiram ver ou rever o programa basta clicarem aqui.

 

A petição continua ainda disponível para assinarem e divulgarem em: http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N11961

publicado por Petição às 16:01
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Terça-feira, 2 de Agosto de 2011

Miguel Gonçalves Mendes e Pilar del Río no "5 para a Meia Noite", com Luísa Barbosa

Nos últimos dias, o número de novas assinaturas tem sido residual. Muito por culpa da divulgação da mesma, que quase parou, o que nos leva a fazer um novo apelo para que divulguem a petição José e Pilar aos Óscares ao maior número possível de familiares, amigos e conhecidos, para que consigamos reunir um bom número de assinaturas de pessoas realmente interessadas em ver o filme José e Pilar a representar Portugal no estrangeiro. Neste momento já conseguimos um total de 1840 assinaturas, às quais se juntaram nomes como o cineasta português António Pedro Vasconcelos, a directora da Empire Portugal Sara Afonso ou até Luísa Barbosa, nova apresentadora das sextas-feiras no programa da RTP2 "5 Para a Meia Noite", entre outros.

 

A propósito, Luísa Barbosa - anteriormente conhecida pelo seu trabalho como VJ na MTV Portugal - estreia-se esta sexta-feira na apresentação do "5 Para a Meia Noite" com a presença de Miguel Gonçalves Mendes, realizador de "José e Pilar" e Pilar del Río. Tomámos conhecimento que a apresentadora já assinou a petição, esperemos que comentem a existência da petição. :)

publicado por Petição às 14:50
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Petição

Esta página surge associada a uma petição pública que pretende sensibilizar o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) para a escolha do documentário “José e Pilar” como candidato português à categoria de Melhor Filme Estrangeiro, na edição dos Óscares de 2012. Este é um movimento independente, de fãs e admiradores do filme, que têm particular confiança e respeito pelo seu potencial, que se sente verdadeiramente comovido pela sua imensa força emocional, humanista, motivadora.

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